Meu novo workflow (Claude Code + Epic CLI)
Na edição de hoje eu vou explicar pra vocês o meu workflow do Claude Code atualizado para construir aplicações profissionais.
Acabamos de lançar a nova versão do Epic e ninguém consegue acreditar que esse projeto foi 100% feito com o Claude Code.
O que mais impressiona as pessoas é o fato de que essa aplicação não tem cara de IA e que também é longe de ser uma aplicação pequena.
Só pra você entender, nós transformamos o Epic, que era um ‘gerador de prompts’ para o Lovable, em um AI App Builder que agora, não só gera todas as tarefas pra você, mas também executa cada uma delas - assim você não precisa usar o Lovable, Replit, v0, etc.
É um projeto complexo, com inúmeras funcionalidades, integrações, e sandboxes - e não dá pra fazer algo dessa proporção no modo ‘vibe coding’ normal, no qual você vai jogando prompts e orando pra dar certo.
Nesse contexto, eu quero apresentar pra vocês o meu novo workflow de vibe coding, que não por acaso foi exatamente o mesmo que nós usamos para construir o Epic.
O problema do vibe coding
Você já deve ter visto (ou feito) isso: abrir o Claude Code ou o Lovable, descrever o que quer, e sair criando. É divertido. É rápido. Isso é o que o Andrej Karpathy (cofundador do Open AI) chamou de vibe coding.
E funciona muito bem pra protótipos ou para fazer coisas simples, como landing pages por exemplo.
O problema é quando você quer ir além disso. Quando quer lançar algo de verdade, que vai pra produção, que vai ser usado por outras pessoas, que vai precisar de manutenção. Aí o vibe coding começa a cobrar o preço.
Depois de gastar mais de R$16,000 em tokens, eu comecei a identificar alguns padrões problemáticos ao fazer código com IAs:
1. A IA engasga no meio da tarefa
Quando você dá uma tarefa muito grande pra IA, ela vai tentar fazer tudo de uma vez e isso vai lotar a janela de contexto dela. O resultado? Ela começa a falhar, a esquecer o que já fez e a se atrapalhar na implementação, porque quanto mais você enche a janela de contexto, mais você degrada a performance do modelo.
2. O código vira uma bagunça impossível de manter
A IA tem alguns vícios que, somados, criam um pesadelo de manutenção:
Ela complica o que deveria ser simples
Ela reinventa a roda em vez de usar padrões documentados
Ela repete trechos de código que já existem no seu projeto — não porque quer, mas porque esqueceu que já escreveu aquilo
Sabe aquele componente de botão que você criou lá no começo? Pode ser que a IA crie outro igualzinho numa nova página, porque ela não lembra do anterior. Agora você tem dois botões pra manter. Depois três. E ai a baguncinha vai se instaurando no seu projeto (boa sorte pra dar manutenção nele depois).
3. A IA “não te obedece”
Essa é uma dor bem comum de quem faz vibe coding. Você pede pra ema mexer numa coisa, ela mexe em outra.
Mas a culpa não é dela. O que acontece é que a maioria das pessoas diz para a IA o que fazer, mas não diz como fazer. Exemplo: você diz “faz um signup” (o que), e não “crie uma página de signup.tsx, crie um componente signupform.tsx, crie um hook useSignup(…)” (como fazer).
Aí a IA precisa adivinhar quais são os arquivos que ela precisa mexer — e num projeto com centenas deles, a chance de ela errar é enorme.
4. Arruma uma coisa, quebra outra
Eu chamo esse de “cobertor de pobre”: você cobre a cabeça, descobre o pé. Cobre o pé, descobre a cabeça.
Isso acontece porque, sem as devidas instruções, a IA costuma misturar responsabilidades que deveriam estar separadas. Sem o devido isolamento de funcionalidades, mexer numa coisa inevitavelmente afetará outra.
5. Gafes de segurança
Você provavelmente já ouviu falar de algum projeto vibe-codado que foi hackeado. Geralmente isso acontece porque a IA colocou lógica de negócio no front-end, ou deixou chaves expostas no código.
Só pra deixar claro, você não precisa ser um hacker mega sofisticado para hackear projetos com esses tipos de vulnerabilidade. Literalmente qualquer pessoa com dois cliques no navegador consegue acessar o que está no front-end e eventualmente fazer coisas como:
pegar suas chaves que estão no frontend (Exemplo: Stripe, Banco de dados, etc - já imaginou um hacker acessar sua conta de stripe ou banco de dados?!)
mudar o tipo de usuário para ‘admin’ e ter permissões de administrador para mexer na sua aplicação
Esses são os tipos de vulnerabilidade mais comuns que eu já vi, então é bom ficar esperto.
O meu workflow (como eu resolvo cada um desses problemas)
Depois de testar muitas abordagens, desenvolvi um processo de quatro etapas. Ele pode parecer burocrático à primeira vista — mas é exatamente o antídoto pra todos esses problemas que listei acima.
Uma nota importante antes de continuar: os comandos que vou mostrar aqui fazem parte do Epic CLI, versão do Epic que eu uso no meu dia a dia e que você pode instalar para adicionar os comandos no seu Claude Code! Para ter acesso, crie sua conta aqui!
Etapa 1: Escrevo uma Spec com o comando /spec
A Spec é um documento que descreve tudo o que a aplicação precisa fazer antes de eu escrever uma linha de código.
Ela tem quatro camadas:
Overview — uma explicação geral do projeto
Páginas — todas as telas da aplicação
Componentes - todos os elementos que você vê em cada página (forms, botões, etc)
Comportamentos — e o que o usuário pode fazer ao interagir com cada um desses componentes (ex: enviar mensagem, submeter form, criar conta, etc)
Esse comando que eu uso /spec faz isso automaticamente: você descreve o projeto, ele gera o documento estruturado dessa forma que eu mencionei.
Isso me dá clareza sobre o que estou construindo antes de começar. E passa essa mesma clareza pra IA.
Etapa 2: Quebro a Spec em Issues com o comando /break
Uma Spec completa é um documento enorme. Se eu jogar isso pra IA implementar de uma vez, ela vai engasgar.
Por isso, o comando /break pega a Spec e transforma cada página e cada comportamento numa issue (aka: uma tarefinha pequena e bem definida).
Depois de testar várias abordagens, descobrimos que a melhor forma de fazer isso é primeiro quebrar a spec em ‘issues’ de protótipos (fazer as telas, só a parte visual, sem nenhuma funcionalidade) e depois, quebrar a spec em issues funcionais, que tornam cada pedaço desses protótipos meramente visuais em uma aplicação que de fato funciona, cria registros no banco, faz chamadas para APIs externas, etc.
Etapa 3: Pesquiso e planejo com o comando /plan
Antes de implementar qualquer issue, eu rodo o /plan. Esse comando faz a IA pesquisar dois lugares:
Dentro do projeto: pra encontrar código que já existe e pode ser reutilizado (em vez de recriar do zero)
Fora do projeto: em documentações, repositórios e referências pra encontrar padrões de implementação comprovados e documentados
O resultado é uma issue enriquecida, com:
Descrição detalhada da tarefa
O que deve acontecer em cada cenário (caminho feliz, edge case, erro)
Tabelas de banco de dados necessárias
Dependências externas (se houver)
Arquivos exatos que precisam ser criados ou modificados (e o que precisa ser criado ou modificado em cada arquivo)
Esse último item é o mais poderoso. Quando a issue diz exatamente quais arquivos a IA deve tocar, ela não vai mexer em mais nada. Isso acaba com aquele problema de “IA desobediente”, porque assim, ela só mexe no que você pediu.
Etapa 4: Executo as Issues com agentes e skills especializados
Com o planejamento pronto, eu rodo o /execute — e aí a mágica acontece.
Durante a execução, o Claude Code usa agentes especializados por camada / tipo de arquivo. Cada tipo de arquivo tem seu próprio agente com suas próprias regras:
action-writer: Escreve código que processa ações do usuário no servidor (como salvar dados quando você clica em “Enviar”)
component-writer: Cria os elementos visuais da interface (botões, formulários, cards que você vê na tela)
hook-writer: Escreve código que captura as interações do usuário e conecta a interface com as ações do servidor (o “fio” que liga o botão ao salvamento)
integration-writer: Cria conexões com serviços externos (como enviar emails, processar pagamentos, usar APIs)
model-writer: Define como os dados são organizados no banco de dados (estrutura de usuários, mensagens, etc.)
route-writer: Cria endpoints de API para comunicação entre frontend e backend (os “endereços” que o app usa para trocar dados)
test-writer: Escreve testes automatizados para garantir que o código funciona corretamente
E cada agente usa uma skill — um documento que descreve as melhores práticas para aquele tipo de arquivo específico.
Além disso, também temos, uma pastinha com documentações internas: arquitetura, design system, workflow e fazemos a IA ler esses documentos antes de implementar as coisas, garantindo que o código siga os padrões de arquitetura do nosso projeto, não os padrões genéricos dela.
Dito isso…
Para cada problema que o vibe coding cria, o workflow tem uma resposta direta. A imagem abaixo resume tudo:
E foi assim que nasceu o Epic!
O Epic (tanto a versão Web, quanto a versão CLI, que roda no terminal com o Claude Code), é basicamente a produtização desse processo que eu acabi de descrever. Nós seremos o primeiro AI app builder que os devs não odeiam (porque seguimos todas as boas práticas de desenvolvimento de software, completamente ignoradas pelos ‘vibe coders').
Diferente das ferramentas de vibe coding como Lovable e Replit, o Epic faz o seguinte:
Planeja o projeto e quebra sua ideia em issues pequenas — pra a IA nunca engasgar no meio do caminho
Pesquisa e planeja antes de implementar cada tarefa — garantindo padrões documentados e evitando duplicação de código
Cada issue é executada em uma branch isolada — você aprova o resultado e ele faz o merge com o main. Sem risco de quebrar o que estava funcionando
Arquitetura 100% AI (and human) friendly — páginas > comportamentos > componentes, organizada pra ser fácil de entender e manter mesmo depois de crescer
Testes unitários e e2e em cada implementação — pra você não subir nada quebrado pra produção
O resultado é um projeto muito mais organizado e confiável, que você consegue entender, manter e evoluir sem medo.
E pra quem quer aprender a aplicar esse processo na prática, o Epic também tem um pilar de educação: aulas gravadas e ao vivo onde eu mostro esse workflow sendo aplicado em projetos reais, do início ao fim.
Também existe a opção de usar esse método dentro do Claude Code, usando o Epic CLI (que roda no seu terminal). 👉 Crie sua conta gratuita aqui para testar e conhecer a nova versão do Epic.
Se você chegou até aqui, você provavelmente já sabe mais sobre desenvolvimento profissional com IA do que 90% das pessoas que estão fazendo vibe coding por aí.
Aproveita e confere o vídeo que eu postei no Youtube sobre esse mesmo tema, onde eu explico na prática o workflow que eu acabei de apresentar aqui!
Agora é com você. 🚀
Até a próxima edição da DebGPT! 💜













Deu problema no bd eu acho, não consegui criar a conta
Isso é um tesouro!